sábado, 28 de março de 2009

RELÍQUIAS DE UM PASSADO RECENTE





Logótipo da AEEEMC (Associação de Enfermeiros Especialistas em Enfermagem Médico-Cirúrgica),
criado pelo Enf.º Manuel Úria, da qual foi membro fundador e autor dos seus Estatutos

OS SÍMBOLOS DA ENFERMAGEM

OS SÍMBOLOS DA ENFERMAGEM

Quantas
vezes nos debatemos já para colocar um símbolo da Enfermagem na capa de um nosso trabalho de pesquisa, de um estudo de caso, no relatório crítico de actividades ou mesmo no Port-fólio ou no Curriculum Vitae, e procuramos em todo o lado e não conseguimos encontrar?

Como sabem, a designada "Candeia da Enfermagem" ou "Candeia de Florence Nightingale" é hoje universalmente utilizada para representar a Enfermagem.

Para os leitores deste Blog, aqui fica uma variedade de "Candeias" desenhadas, ou redesenhadas por mim, outras encontradas em livros ou sites, uma bonitas, outras nem tanto!... Escolham!

Mas uma advertência: Não corram o mesmo risco que eu corri durante uma dezenas de anos! O modelo de Candeia ou Lâmpada de Florence
Nightingale, não tem nada a ver com estas representações que hoje utilizamos, embora estas imagens sejam usadas nos logótipos de Escolas, Associações,Ordens, Sindicatos, profissionais liberais desta classe, etc..











Estas duas últimas ilustrações são, efectivamente, as lâmpadas utilizadas nos tempos de Florence Nightingale e, certamente por ela.

terça-feira, 24 de março de 2009

JURAMENTO DE FLORENCE NIGHTINGALE

Às vezes faz falta! Num trabalho escrito, numa apresentação,... mas, sobretudo para refrescar a nossa memória.

(para ver em tamanho real, clique na imagem)

FLORENCE NIGHTINGALE


Foi, acidentalmente, numa antiga revista intitulada "O Amigo da Infância", do ano de 1876, que vi, pela primeira vez, e sendo já enfermeiro há vários anos, uma alusão ao papel de Florence na Guerra da Crimeia. Artigo dirigido a crianças, não deixou de aguçar a minha curiosidade em aprofundar a história de Florence, o que fiz mais tarde, sobretudo na belíssima obra de M. PATRICIA DONAHUE - História de la Enfermeria -, das Ediciones Doyma.
Penso que vale a pena recordar a pequena história de "O Amigo da Infância" e mostrar também uma rara e belíssima imagem (xilogravura) de Florence, publicada nessa mesma revista do ano de 1876.

FLORENCE NIGHTINGALE

Meus amiguinhos: a guerra da Criméa per­tence já a um Passado bastante distante, mas não tanto que vossos paes se não lembrem d’ella.

Ha vinte annos as nações europeas aguardavam anciosas de dia para dia noticias do theatro d’aquella sangrenta pugna, onda tantos infelizes caíram para nunca mais se levantarem, attingidos das balas dos inimigos, ou dos effeitos de fadigas inaudítas em trincheiras fundas e húmidas; em quanto que mui­tissimos outros onde ainda bruxuleava uma luzinha vital eram levados do campo para os hospitaes afim de serem tratados. Mas n’aquelles pios estabelecimentos sentia-se a falta da mão suave da mulher para pensar as chagas, do seu coração terno e das suas doces palavras para consolar e animar os míseros enfermos. Deus porém, na sua infinita bondade, tocou o coração de Florence Nightingale. Esta senhora joven, bem educada e abastada, mas sobre tudo riquíssima em denodo Christão, alistou a seu serviço um bando de enfermeiras, e com ellas partiu de Inglaterra para onde a sua santa vocação a chamava.

A presença d’aquellas caridosas damas entre os desditosos que se achavam gemendo a tanta distancia dos seus lares; os seus ternos cuidados, e a sua doce sympathia minoraram desde logo, quanto era possível os soffrimentos que ellas se propunham alliviar; mas sobre maneira consoladoras eram as verdades do Evangelho de Jesus que seus lábios emitiam para fortalecer o animo dos que soffriam e dos agonisantes. «Ah! Agora sim, exclamou um soldado ferido vendo deslisar pela enfermaria a longa fileira de senhoras; agora é claro que se lembram de nós na mãe pátria (at home) que nos amam, que lhes somos algo!» e cobrindo a cabeça com a roupa da cama soluçava como uma criança.

Hoje em dia já não é novidade, mas uma instituição, a frequência de senhoras nas ambulâncias e hospitaes militares, onde como espíritos benévolos e cheios de pio amor, ministram ás almas e aos corpos dos padecentes; mas a honra da iniciativa; honra que durará em quanto durarem os recordos humanos, é a Florence Nightingale que se deve. Das que seguiram a trilha por ella encetada, podemos dizer «Muitas filhas obraram virtuosamente» porem de Florence devemos dizer: «Muitas filhas obraram virtuosamente, mas tu excedeste a todas». Prov.xxxi:29.

quinta-feira, 19 de março de 2009

UMA SEPARAÇÃO DIFÍCIL

PARA OS DESCENDENTES: Vale a pena perceber porque tantas vezes não estive presente.
(clique na imagem para poder ler)

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sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

É IMPERIOSO LEMBRAR!



O nome do Dr. ALBERTO COSTA é-me familiar há cerca de meio século. A ideia que sempre tive deste médico, que nunca conheci pessoalmente, era de um HOMEM BOM. Isto porque tive um grande amigo, enfermeiro pela Escola Artur Ravara de Lisboa, que me "obrigou" a ler parte desta então gigantesca obra de estudo, quando eu era ainda criança, mas já a trabalhar num hospital, fazendo de tudo um pouco, mas perspectivando vir a ser enfermeiro, logo que a idade o permitisse.
Porque me ficou a ideia de Homem Bom? Porque só um Homem Bom, mesmo sendo médico, se podia dar ao cuidado de escrever uma obra, de fácil compreensão, sem deixar de ser científica, abordando TUDO o que um enfermeiro deveria saber para, responsavelmente, poder cuidar dos doentes. Porque ao longo da sua obra, ele transmite-nos a noção da importância da pessoa doente; porque valoriza o papel do enfermeiro na equipa de saúde.
Referi "cuidar" e não "tratar" propositadamente, porque a obra do Dr. Alberto Costa, embora médico, não impõe o modelo biomédico. Aliás, nota-se bem que ele tem uma inclinação muito parecida com a de Florence Nightingale em termos de teoria ecologista, na parte específica dos cuidados de enfermagem.Com o título de "ENFERMAGEM", faz saír a 1.ª edição em 1940; A segunda edição em 1942; a 3.ª edição em 1944; a 4.ª edição em 1947; a 5.ª edição em 1956 e a 6.ª e última edição (aqui representada) em 1965.
Não deixa de ser curioso que tendo eu entrado na Escola de Enfermagem em Coimbra por altura da publicação da última edição, para frequentar o Curso de Auxiliares de Enfermagem, nunca vi nenhum exemplar, nem na biblioteca, nem nas mãos dos professores, nem dos colegas, nem mesmo dos que frequentavam o Curso Geral.
Será por ter sido editada em Coimbra? Sim, porque esta obra era utilizada, pelo menos no Porto e em Lisboa.
Com a frequência que as edições se repetem, temos que concluir que elas eram vendidas. (Provavelmente se aplica o aforisma de que "santos da porta não fazem milagres".
Esta preciosidade foi por mim comprada na Livraria Moura Marques de Coimbra, após conclusão do Curso e recordo que andei cerca de 5 meses a colocar uns escudos de parte para a poder adquirir. Valeu a pena!

Fica um agradecimento póstumo muito sentido ao Dr. Alberto Costa. Bem haja pelo que fez em prol da Enfermagem. Se tivesse oportunidade, pedir-lhe-ia, como enfermeiro, desculpa pela ingratidão da nossa classe!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

O TRABALHO TUDO VENCE, mas...



Em tempo de crise, de falta de trabalho para um considerável número de portugueses (e não só), veio-me à mente o provérbio latino que aprendi na escola (então primária!) e que, por felicidade, encontrei um dia representado num lindíssimo (para mim) painel de azulejos, num lugar onde outrora se trabalhava, próximo da estação dos caminhos de ferro de Santa Comba Dão. Ali voltei munido com máquina fotográfica e aqui está o painel. (para ver ampliado, clique com o botão esquerdo do rato em cima da foto).
Toda a gente conhece o seu significado: "O trabalho tudo vence ou tudo supera".

Penso que o seu significado é válido ainda para os dias de hoje. E é tão verdade que quem não tem trabalho é efectivamente um derrotado. Assim me sentiria. Com saúde, com vontade de trabalhar, de lutar, vencer, acabaria por deixar de ter saúde no seu sentido lato*, de me considerar, embora involuntariamente e injustamente, um inválido, excomungado de direitos que me assistem como pessoa e como cidadão do meu país. Quem sabe se não me sentiria também encorajado (involuntariamente) a entrar no grupo daqueles para os quais tudo vale para sobreviver. E depois? Depois só eu seria julgado e punido. Mas a culpa, a verdadeira culpa não seria só minha.
...............
Uma variante deste provérbio é Labor improbus omnia vincit, ou seja, "o trabalho persistente tudo vence".
Verdade insofismável - penso eu -, mas, infelizmente, nos dias que correm, inúmeras pessoas trabalham persistentemente para conseguirem trabalho!

* Segundo a OMS, Saúde é o estado de completo bem-estar físico, mental, social e cultural, e não apenas a ausência de doença ou enfermidade.