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terça-feira, 24 de março de 2009

FLORENCE NIGHTINGALE


Foi, acidentalmente, numa antiga revista intitulada "O Amigo da Infância", do ano de 1876, que vi, pela primeira vez, e sendo já enfermeiro há vários anos, uma alusão ao papel de Florence na Guerra da Crimeia. Artigo dirigido a crianças, não deixou de aguçar a minha curiosidade em aprofundar a história de Florence, o que fiz mais tarde, sobretudo na belíssima obra de M. PATRICIA DONAHUE - História de la Enfermeria -, das Ediciones Doyma.
Penso que vale a pena recordar a pequena história de "O Amigo da Infância" e mostrar também uma rara e belíssima imagem (xilogravura) de Florence, publicada nessa mesma revista do ano de 1876.

FLORENCE NIGHTINGALE

Meus amiguinhos: a guerra da Criméa per­tence já a um Passado bastante distante, mas não tanto que vossos paes se não lembrem d’ella.

Ha vinte annos as nações europeas aguardavam anciosas de dia para dia noticias do theatro d’aquella sangrenta pugna, onda tantos infelizes caíram para nunca mais se levantarem, attingidos das balas dos inimigos, ou dos effeitos de fadigas inaudítas em trincheiras fundas e húmidas; em quanto que mui­tissimos outros onde ainda bruxuleava uma luzinha vital eram levados do campo para os hospitaes afim de serem tratados. Mas n’aquelles pios estabelecimentos sentia-se a falta da mão suave da mulher para pensar as chagas, do seu coração terno e das suas doces palavras para consolar e animar os míseros enfermos. Deus porém, na sua infinita bondade, tocou o coração de Florence Nightingale. Esta senhora joven, bem educada e abastada, mas sobre tudo riquíssima em denodo Christão, alistou a seu serviço um bando de enfermeiras, e com ellas partiu de Inglaterra para onde a sua santa vocação a chamava.

A presença d’aquellas caridosas damas entre os desditosos que se achavam gemendo a tanta distancia dos seus lares; os seus ternos cuidados, e a sua doce sympathia minoraram desde logo, quanto era possível os soffrimentos que ellas se propunham alliviar; mas sobre maneira consoladoras eram as verdades do Evangelho de Jesus que seus lábios emitiam para fortalecer o animo dos que soffriam e dos agonisantes. «Ah! Agora sim, exclamou um soldado ferido vendo deslisar pela enfermaria a longa fileira de senhoras; agora é claro que se lembram de nós na mãe pátria (at home) que nos amam, que lhes somos algo!» e cobrindo a cabeça com a roupa da cama soluçava como uma criança.

Hoje em dia já não é novidade, mas uma instituição, a frequência de senhoras nas ambulâncias e hospitaes militares, onde como espíritos benévolos e cheios de pio amor, ministram ás almas e aos corpos dos padecentes; mas a honra da iniciativa; honra que durará em quanto durarem os recordos humanos, é a Florence Nightingale que se deve. Das que seguiram a trilha por ella encetada, podemos dizer «Muitas filhas obraram virtuosamente» porem de Florence devemos dizer: «Muitas filhas obraram virtuosamente, mas tu excedeste a todas». Prov.xxxi:29.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

É IMPERIOSO LEMBRAR!



O nome do Dr. ALBERTO COSTA é-me familiar há cerca de meio século. A ideia que sempre tive deste médico, que nunca conheci pessoalmente, era de um HOMEM BOM. Isto porque tive um grande amigo, enfermeiro pela Escola Artur Ravara de Lisboa, que me "obrigou" a ler parte desta então gigantesca obra de estudo, quando eu era ainda criança, mas já a trabalhar num hospital, fazendo de tudo um pouco, mas perspectivando vir a ser enfermeiro, logo que a idade o permitisse.
Porque me ficou a ideia de Homem Bom? Porque só um Homem Bom, mesmo sendo médico, se podia dar ao cuidado de escrever uma obra, de fácil compreensão, sem deixar de ser científica, abordando TUDO o que um enfermeiro deveria saber para, responsavelmente, poder cuidar dos doentes. Porque ao longo da sua obra, ele transmite-nos a noção da importância da pessoa doente; porque valoriza o papel do enfermeiro na equipa de saúde.
Referi "cuidar" e não "tratar" propositadamente, porque a obra do Dr. Alberto Costa, embora médico, não impõe o modelo biomédico. Aliás, nota-se bem que ele tem uma inclinação muito parecida com a de Florence Nightingale em termos de teoria ecologista, na parte específica dos cuidados de enfermagem.Com o título de "ENFERMAGEM", faz saír a 1.ª edição em 1940; A segunda edição em 1942; a 3.ª edição em 1944; a 4.ª edição em 1947; a 5.ª edição em 1956 e a 6.ª e última edição (aqui representada) em 1965.
Não deixa de ser curioso que tendo eu entrado na Escola de Enfermagem em Coimbra por altura da publicação da última edição, para frequentar o Curso de Auxiliares de Enfermagem, nunca vi nenhum exemplar, nem na biblioteca, nem nas mãos dos professores, nem dos colegas, nem mesmo dos que frequentavam o Curso Geral.
Será por ter sido editada em Coimbra? Sim, porque esta obra era utilizada, pelo menos no Porto e em Lisboa.
Com a frequência que as edições se repetem, temos que concluir que elas eram vendidas. (Provavelmente se aplica o aforisma de que "santos da porta não fazem milagres".
Esta preciosidade foi por mim comprada na Livraria Moura Marques de Coimbra, após conclusão do Curso e recordo que andei cerca de 5 meses a colocar uns escudos de parte para a poder adquirir. Valeu a pena!

Fica um agradecimento póstumo muito sentido ao Dr. Alberto Costa. Bem haja pelo que fez em prol da Enfermagem. Se tivesse oportunidade, pedir-lhe-ia, como enfermeiro, desculpa pela ingratidão da nossa classe!